Procedimentos

Ausculta Pulmonar! É fundamental, mas você tem dúvida!

Auscultação é o método semiológico utilizado no exame físico do aparelho respiratório, realizado com o auxílio de um estetoscópio. A ausculta pulmonar é realizada com o objetivo de ouvir os ruídos respiratórios, sendo parte imprescindível da semiologia do tórax no diagnóstico clínico de várias doenças pulmonares. Portanto, é fundamental que todo o estudante de medicina saiba como executar este passo.

 

MOMENTO CURIOSIDADE! 

No século 19, o exame físico do tórax constituía-se da percussão torácica, da palpação das
vibrações transmitidas através do sistema broncopulmonar até a parede torácica, e da ausculta direta. Como assim ausculta direta? Direta mesmo! colocando os ouvidos no tórax do indivíduo. No entanto, a ausculta direta era um método bastante desconfortável tanto para o médico como para o paciente,  além de
aumentar o risco de infecção.

Foi então que, em 1816, o médico francês, Laënnec, incomodado com a precariedade do procedimento, relembrou um episódio que havia presenciado algum tempo atrás. Ele havia observado duas crianças que se comunicavam através de um rolo de madeira. Uma delas emitia sons em uma das extremidades do rolo com um metal, enquanto a outra os ouvia de forma ampliada na outra extremidade. Diante da atual situação enrolou um pedaço de papel, colocou uma extremidade no tórax do paciente e outra em seu ouvido, e percebeu que dessa forma podia ouvir de forma clara os sons cardíacos. EXATAMENTE!! Foi assim que surgiu o primeiro estetoscópio-  um tubo oco de madeira de 3,5cm de diâmetro e 25cm de comprimento e então revolucionou a medicina no diagnóstico clínico das doenças pleuropulmonares, pois possibilitou a ausculta clara dos sons respiratórios e a identificação desses sons de acordo com o comprometimento pulmonar. INCRÍVEL, NÃO É MESMO? 

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Como realizar a ausculta torácica?

A ausculta deve ser realizada em ambiente silencioso, de preferência com o tórax desnudo. Peça para o paciente inspirar profundamente com a boca aberta. Em seguida ausculte-o com o diafragma do estetoscópio pressionado firmemente contra o tórax para evitar o deslocamento enquanto o paciente respira – o deslocamento do estetoscópio pode levar a suspeita incorreta de ruídos adventícios, principalmente em locais com pelos.
Ausculte sistematicamente todos os campos pulmonares movendo o estetoscópio na direção caudal  cada vez, tanto para a ausculta anterior quanto posterior inicie pelos ápices pulmonares. Sempre compare imediatamente os lados direito e esquerdo. Em cada localização escute pelo menos um ciclo completo de inspiração e expiração. Avalie constantemente a natureza dos ruídos respiratórios e a presença e natureza de possíveis ruídos adventícios.. Os sons adventícios quando auscultados devem ser interpretados quanto ao tipo, localização, intensidade, e a fase do ciclo respiratório em que estão presentes.

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Durante a ausculta deve-se observar:

  • Sons respiratórios, em relação a:
    • característica (frequência e nitidez)
    • intensidade da inspiração e expiração
    • proporção de tempo de inspiração e expiração
  • A presença de sons adventícios sempre indica patologia
  • Se indicado, avalie a broncofonia

E quais sons eu posso encontrar?

– Ruídos fisiológicos: Murmúrio vesicular e Ruído traqueal
– Ruídos adventícios:
Contínuos (Ronco, sibilo, estridor)
Descontínuos (Estertores crepitantes e bolhosos)

Sons respiratórios normais:

  • Murmúrio vesicular – representa o movimento do ar nos bronquíolos e alvéolos. São ouvidos em todos os campos pulmonares e são sons suaves e graves na inspiração longa e na expiração curta
  • Ruídos brônquicos – representam o movimento de ar pela traqueia. São ouvidos sobre a traqueia e são altos na expiração longa
  • Ruídos broncovesiculares – ruídos normais entre a traqueia e os lobos pulmonares superiores. Som de intensidade média tanto na inspiração quanto na expiração

Sons respiratórios anormais:

  • Estertores – ruídos discretos que resultam da abertura retardada das vias aéreas desinsufladas. São sons descontínuos e gerados, durante a inspiração, pela abertura súbita de pequenas vias aéreas até então fechadas e, na expiração, pelo fechamento das mesmas. Eles têm som similar ao atrito de fios cabelo próximo ao ouvido e podem desaparecer com a tosse, quando não estão associados a doença pulmonar significativa
  • Sibilos – são sons de característica musical (assobio) contínuos (duração de mais de 250ms) que podem ocorrer tanto na inspiração quanto na expiração. São mais comuns na fase expiratória. Resultam da obstrução acentuada ao fluxo aéreo (vias estreitadas ou parcialmente obstruídas)
  • Roncos – são ruídos em ruflar (referidos como gargarejos), graves, intensos, e contínuos, com frequência de 200 Hz ou menos e  audíveis na inspiração e na expiração. São produzidos, normalmente, pelo estreitamento da via aérea com secreção
  • Atritos – sons em rangido e crepitantes, ouvidos mais na inspiração do que na expiração. Resulta da fricção das pleuras visceral e parietal entre si e podem ser ouvidos em casos de derrame pleural, pneumotórax ou pleurisia

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Thainá Lins

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